quarta-feira, 6 de maio de 2009

Auto Educação




Conta-se que Licurgo foi convidado a falar sobre a educação. O grande legislador de Esparta aceitou, mas pediu um ano para preparar o material que iria apresentar,

Por que um homem tão sábio ocuparia tanto tempo para compor simples exposição de idéias?

Exigência aceita, prazo cumprido, ei-lo diante da multidão que compareceu para ouvir-lhe os conceitos. Trazia duas gaiolas. Numa estavam dois cães; duas lebres na outra.

Sem nada dizer, tirou um animal de cada gaiola, soltando-os. Em instantes o cão estraçalhou a lebre.

Libertou em seguida os restantes. O público estremeceu, antevendo nova cena de sangue.

Surpresa: o cão aproximou-se da lebre e brincou com ela. Esta correspondeu, sem nenhum temor, às suas iniciativas.

- Aí está, senhores - esclareceu Licurgo - por que pedi prazo tão extenso, preparando esses animais. O melhor discurso é o exemplo. O que mostrei exemplifica o que pode a educação, que opera até mesmo o prodígio de promover a confraternização de dois seres visceral e instintivamente inimigos.





Harmonizar o cão e a lebre para uma convivência pacífica demandou doze meses.

Quanto tempo levará o espírito humano para harmonizar-se com a Vida?

Milênios, sem dúvida, mesmo porque o homem terrestre vive o estágio do sonambulismo existencial, alheio às questões fundamentais: quem é? de onde veio? o que faz no Mundo? para onde vai?

Enredado na rotina, acomoda-se em perturbador imobilismo, gerando freqüentes impasses evolutivos - um estacionamento na indiferença, prisioneiro de suas mazelas.



Por isso a reencarnação é tão importante.

A bênção do recomeço, sem lembranças do passado, ajudando o Espírito a eliminar paixões e fixações que precipitaram seus desvios.



Licurgo exemplificou com competência o que pode a educação.

Pais educam seus filhos com a simples consciência de que é preciso exemplificar.

Tudo o que é virtuoso, bom, justo, honesto, verdadeiro, podemos ensinar-lhes com o simples empenho de guardar comportamento compatível.



Com a Doutrina Espírita aprendemos que as misérias humanas sustentam-se no egoísmo humano. É ele que gera os desníveis sociais, as castas, a exploração do homem pelo homem, os comprometimentos com o vício e o crime.



Deus trabalha incessantemente pela melhoria das condições de vida na Terra e envia seus mensageiros com a tarefa de nos explicar que é preciso combater o egoísmo.

Essa idéia fundamental está presente nos dez Mandamentos recebidos por Moisés, quando explica o que não devemos fazer - não roubar, não matar, não mentir, não cobiçar, não adulterar - nada que leve prejuízo a alguém...

Ressurge nos ensinamentos de Jesus, exaltando o amor e explicando que é preciso fazer ao semelhante o bem que gostaríamos de receber dele...



Como colaborar com o Criador na redentora cruzada antiegoísmo?

Da mesma forma que os pais devem ensinar seus filhos: exemplificando.



Como modificar o mundo?

Modificando a nós mesmos.





Jesus disse:

O Reino de Deus está dentro de vós.



Esta observação do Mestre deixa bem claro que esse Reino somente se estenderá sobre o Mundo na medida em que se instale nos corações humanos.

É necessário então estar consciente da necessidade de uma Reforma Interior.







A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura

de todos os homens, e a sua prática é a solução para todos os problemas

humanos e o objetivo a ser atingido pela Humanidade.



Sem educação espiritual não chegamos a paz.





Referências bibliográficas:



Richard Simonetti – Espiritismo, uma nova era

Richard Simonetti – Viver em plenitude

Texto retirado do site www.spiritismo.de

domingo, 3 de maio de 2009

Sepulcros abertos



“A sua garganta é um sepulcro aberto.”
Paulo (Romanos, 3:13)
Reportandose
aos espíritos transviados da luz, asseverou Paulo que têm a
garganta semelhante a sepulcro aberto e, nessa imagem, podemos emoldurar muitos
companheiros, quando se afastam da Estrada Real do Evangelho para os trilhos
escabrosos do personalismo delinqüente.
Logo se instalam no império escuro do "eu", olvidando as obrigações que
nos situam no Reino Divino da Universalidade, transfigura .se lhes
a garganta em
verdadeiro túmulo descerrado. Deixam escapar todo o fel envenenado que lhes
transborda do íntimo, à maneira dum vaso de lodo, e passam a sintonizar,
exclusivamente, com os males que ainda apoquentam vizinhos, amigos e
companheiros.
Enxergam apenas os defeitos, os pontos frágeis e as zonas enfermiças das
pessoas de boavontade
que lhes partilham a marcha.
Tecem longos comentários no exame de úlceras alheias, ao invés de curá-las.
Eliminam precioso tempo em palestras compridas e ferinas, enegrecendo
as intenções dos outros.
Sobrecarregam a imaginação de quadros deprimentes, nos domínios da
suspeita e da intemperança mental.
Sobretudo, queixam-se
de tudo e de todos.
Projetam emanações entorpecentes de má fé,
estendendo o desânimo e a
desconfiança contra a prosperidade da santificação, por onde passam, crestando as
flores da esperança e aniquilando os frutos imaturos da caridade.
Semelhantes aprendizes, profundamente desventurados pela conduta a que
se acolhem, afiguram .se nos,
de fato, sepulcros abertos...
Exalam ruínas e tóxicos de morte.
Quando te desviares, pois, para o resvaladiço terreno das lamentações e das
acusações, quase sempre indébitas, reconsidera os teus passos espirituais e recorda
que a nossa garganta deve ser consagrada ao bem, pois só assim se expressará, por
ela, o verbo sublime do Senhor.

texto retirado do livro Fonte Viva -Chico Xavier

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Vaidade




“O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade, acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela é apenas a sua incúria.”

(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Capítulo V. Bem-aventurados os Aflitos.
Causas Atuais das Aflições.)

A vaidade é decorrente do orgulho, e dele anda próxima. Destacamos adiante as suas facetas mais comuns:

a) Apresentação pessoal exuberante (no vestir, nos adornos usados, nos gestos afetados, no falar demasiado);
b) Evidência de qualidades intelectuais, não poupando referências à própria pessoa, ou a algo que realiza;
c) Esforço em realçar dotes físicos, culturais ou sociais com notória antipatia provocada pelos demais;
d) Intolerância para com aqueles cuja condição social ou intelectual é mais humilde, não evitando a eles referências desairosas;
e) Aspiração a cargos ou posições de destaque que acentuem as referências respeitosas ou elogiosas à sua pessoa;
f) Não reconhecimento de sua própria culpabilidade nas situações de descontentamento diante de infortúnios por que passa;
g) Obstrução mental na capacidade de se auto-analisar, não aceitando suas possíveis falhas ou erros, culpando vagamente a sorte, a infelicidade imerecida, o azar.

A vaidade, sorrateiramente, está quase sempre presente dentro de nós, dela os espíritos inferiores se servem para abrir caminhos às perturbações entre os próprios amigos e familiares. É muito sutil a manifestação da vaidade no nosso íntimo e não é pequeno o esforço que devemos desenvolver na vigilância, para não sermos vítimas daquelas influências que encontram apoio nesse nosso defeito. De alguma forma e de variada intensidade, contamos todos com uma parcela de vaidade, que pode estar se manifestando nas nossas motivações de algo a realizar, o que é certamente válido, até certo ponto. O perigo, no entanto, reside nos excessos e no desconhecimento das fronteiras entre os impulsos de idealismo, por amor a uma causa nobre, e os ímpetos de destaque pessoal, característicos da vaidade.
A vaidade, nas suas formas de apresentação, quer pela postura física, gestos estudados, retórica no falar, atitudes intempestivas, reações arrogantes refletem, quase sempre, uma deformação de colocação do indivíduo, face aos valores pessoais que a sociedade estabeleceu. Isto é, a aparência, os gestos, o palavreado, quanto mais artificiais e exuberantes, mais chamam a atenção, e isso agrada o intérprete, satisfaz a sua necessidade pessoal de ser observado, comentado, “badalado”. No íntimo, o protagonista reflete, naquela aparência toda, grande insegurança e acentuada carência de afeto que nele residem, oriundas de muitos fatores desencadeados na infância e na adolescência. Fixações de imagens que, quando criança, identificou em algumas pessoas aparentemente felizes, bem sucedidas, comentadas, admiradas, cujos gestos e maneiras de apresentação foram tomados como modelo a seguir.
O vaidoso o é, muitas vezes, sem perceber, e vive desempenhando um personagem que escolheu. No seu íntimo é sempre bem diferente daquele que aparenta, e, de alguma forma, essa dualidade lhe causa conflitos, pois sofre com tudo isso, sente necessidade de encontrar-se a si mesmo, embora às vezes sem saber como.
O mais prejudicial nisso tudo é que as fixações mentais nos personagens selecionados podem estabelecer e conduzir a enormes bloqueios do sentimento, levando as criaturas a assumirem um caráter endurecido, insensível, de atitudes frias e grosseiras. O Aprendiz do Evangelho terá aí um extraordinário campo de reflexão, de análise tranqüila, para aprofundar-se até as raízes que geram aquelas deformações, ao mesmo tempo em que precisa identificar suas características autênticas, o seu verdadeiro modo de ser, para então despir a roupagem teatral que utilizava e colocar-se amadurecidamente, assumindo todo o seu íntimo, com disposição de melhorar sempre.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Resignação




“Existem males que não dependem da maneira de agir e que ferem o homem mais justo. Não há algum meio de se preservar deles?
- O atingido deve resignar-se e sofrer sem queixas, se deseja progredir. Entretanto, terá sempre uma consolação da sua própria consciência, que lhe dá a esperança de um futuro melhor, desde que faça o necessário para obtê-lo!”

(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos.
Livro Quarto. Capítulo I. Penas e Gozos Terrenos. Pergunta 924.)

“A Doutrina de Jesus ensina a obediência e a resignação, duas virtudes que são companheiras da doçura, muito ativas, embora os homens as confundam erroneamente com a negação do sentimento e da vontade. A Obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração.”

(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Capítulo IX. Bem-aventurados os Brandos e pacíficos.
Obediência e Resignação – Lázaro.)

Para sermos resignados precisamos aprender a não lamentar a nossa sorte e a aceitar com submissão paciente os sofrimentos da vida.
Pelo valor que representa o sofrimento, no burilamento do nosso espírito, nas ações corretivas ao nosso orgulho, como colheita dos males que tenhamos plantado ontem, é a resignação o melhor testemunho da nossa compreensão, a melhor prova do nosso amor a Deus.
Nada nos acontece por acaso, e nos dói exatamente no local onde mais carecemos de remédio. Onde mais somos atingidos pelo sofrimento é também onde mais necessariamente a corrigenda deve ser feita.
Quando assim não aplicamos a resignação, desperdiçamos o aproveitamento que a prova dolorosa nos oferece e prolongamos a experiência retificadora até que o consentimento do coração nos transforme.
Então, como agir?

a) Manter a paciência, por mais demorada que pareça ser a fase de dificuldade pela qual estamos passando;
b) Render obediência aos impositivos que possam nos contrariar as preferências no trabalho ou em casa;
c) Aceitar as incompreensões dos entes mais próximos, nas horas mais amargas, sem esboçar quaisquer reações de revolta;
d) Submeter-se ao despotismo e à rispidez das criaturas agressivas que surjam no nosso convívio;
e) Renunciar ao que não podemos possuir, mesmo sendo algo de há muito desejado;
f) Conformar-se com os sacrifícios que devamos fazer nas horas de escassez financeira;
g) Não reclamar de quem quer que seja nas épocas de crise social, política ou econômica;
h) Consolar-se em preces profundamente sentidas com a esperança de que a Providência Divina suprirá nossas necessidades na hora aprazada;
i) Recorrer à sustentação vibratória dos Amigos Espirituais, pela leitura evangélica e pelo estudo doutrinário nas reuniões do lar, quando renovamos nossas forças para resistir aos embates da vida.

As expressões de obediência e resignação nos elevam a alma, como forças de grande impulso transformador, ampliando-nos a capacidade de amar a Deus, de seguir a Jesus e de difundir, entre os homens, a fé, a esperança e a consolação. Com elas valorizamos as nossas provas e completamos nossos resgates; sem elas repetimos oportunidades perdidas e prorrogamos nossos ajustes.

sábado, 25 de abril de 2009

UM DIA



Emmanuel
Um dia, verás a ti mesmo em plano diferente.
Parecer-te-á, então, haver acordado de um sono profundo
e, por isso mesmo, tudo te surpreenderá. Amigos que não vias,
há muito tempo, se aproximarão de ti, estendendo-te as mãos.
Perguntarás a vários deles: onde estavas que não mais te
encontrei? Por que te distanciaste de mim? Todos te abraçarão,
com a alegria a lhes fulgurar nos olhos, Fitarás as árvores
carinhosamente podadas, formando corações que palpitarão de
vida, plantas outras, mostrando as frondes entrelaçadas,
lembrando mãos que se tocam afetuosamente. Respirarás
profundamente, reconhecendo, assim, as qualidades nutrientes
do no ambiente em que te virás...
Naquela festa de almas, porém, um homem de olhar
manso desce de um torreão brilhante e caminha na direção dele.
Em vão, o recém-chegado tenta retirar dele os olhos
magnetizados pelo amor que o desconhecido irradia. Ele caminha
serenamente a fixa-lo com bondade, com a familiaridade de quem
o conhecia.
- “Ah! – pensou o recém-vindo decerto que este amigo me
conhece, de longo tempo”.
A custo, venceu a própria indecisão, e indagou do
companheiro mais próximo:
- “Quem é este homem que está chegando até nós”?.
- “É o Mensageiro da Vida”.
Não houve tempo para outras inquirições.
Efetivamente, aquela simpática e estranha personagem lhe
endereçou saudações fraternas e segurando-lhe a destra, qual se
nela conseguisse ler todas as minudências da sua vida, não lhe
perguntou pelo próprio nome, nada argüiu quanto à família a que
pertencera ou à posição que exercera... Apenas pousou nele
demoradamente os olhos azuis e perguntou-lhe:
-“Amigo, o que fizeste?”
Da Obra “A SEMENTE DE MOSTARDA” – Espírito: EMMANUEL

ENSINAMENTO



Emmanuel
O Instrutor desdobrando a aula que ministrava aos
aprendizes atentos esclareceu, conciso:
Os homens são professores uns dos outros.
Cada um leciona a matéria que lhe constitui o elemento de
trabalho.
Assim vejamos:
O alfaiate, a costura;
O sapateiro, o calçado;
O tecelão; a indústria do fio;
O ourives, a fabricação de jóias;
O pastor, a condução do rebanho;
O horticultor, a produção de verdura;
O carpinteiro, a arte de trabalhar a madeira;
Ante a pausa do professor, o aluno José Guedes
perguntou:
-Professor; e o embriagado também ensina?
Como não? – respondeu o Instrutor.
Que é que um bêbado ensina? – insistiu o aprendiz.
E o professor idoso e experiente concluiu:
-Um alcoólatra ensina o que devemos evitar.
Da Obra “A SEMENTE DE MOSTARDA” – Espírito: EMMANUEL –
Médium: FRANCISCO CÂNCIDO XAVIER

A SEMENTE DE MOSTARDA



A SEMENTE DE MOSTARDA
Emmanuel
O rapaz abeirou-se do Mentor, mostrando-se evidentemente acanhado, e
considerou em tom de pergunta:
-Instrutor, a sua bondade já nos disse, várias vezes, que os
ensinamentos de Jesus, o nosso Divino Mestre, estão sempre iluminados para a
compreensão do nosso entendimento... Entretanto, às vezes, esbarro com
afirmativas d’Ele que me fazem pensar inutilmente, já que não lhes alcanço
sentido...
-Dê-me um exemplo – solicitou o interpelado com paciência.
-Disse-nos Jesus que se tivermos fé do tamanho de um grão de
mostarda – continuou o jovem consulente – certa montanha, por nossa ordem,
transportar-se-á daqui para ali; não crê o senhor que isso é um absurdo em
confronto com a realidade?
-Meu amigo – explicou-se o Mentor – Jesus, por falta de comparações e
palavras adequadas, legou-nos muitas lições em forma de símbolos e
parábolas... Imagino que Nosso Divino Mestre tomou a imagem da montanha,
como significado a nossos hábitos e preferências. Muitos defeitos, que ainda nos
caracterizam, pesam sobre nós por montes de imperfeições que precisamos
remover do mal para o bem...
-Mas – continuou o aprendiz – o senhor concordará que isso é uma
observação puramente filosófica; desejo que o senhor me conduza para o
domínio dos fatos reais.
O instrutor meditou por alguns instantes em profundo silêncio e
rematou:
-Caro amigo, se você pretende observar o poder de um agente
pequenino, qual a semente de mostarda, sobre um corpo extenso de
dificuldades que o desorienta ou perturba, acenda uma vela pequenina diante
da escuridão.
Da Obra “A SEMENTE DE MOSTARDA” – Espírito: EMMANUEL –
Médium: FRANCISCO CÂNCIDO XAVIER

OBSESSÃO



"Filhos, não olvideis que os vossos afetos invisíveis do pretérito
procuram interferir negativamente em vossos justos anseios espirituais do
presente.
De todas as formas, eles buscarão se insinuar em vossos caminhos,
impedindo a vossa desvinculação mental com o passado.
Pela afinidade natural que convosco estabeleceram em experiências
pregressas, lograrão fácil acesso ao vosso psiquismo, articulando aos vossos
ouvidos inaudíveis palavras de desalento.
Praticamente sem tréguas, insistirão convosco na descrença, armandovos
o espírito contra os companheiros que vos têm concitado à renovação.
Levantarão em vós suspeitas infundadas a respeito daqueles que podem
vos influenciar para o bem.
Não raro, prepararão instrumentos para vossa queda no rol de vossas
afeições mais íntimas.
Nos lábios dos que tenham alguma ascendência sobre vós, colocarão
palavras que vos induzirão a reconsiderar atitudes e decisões no campo da fé.
Os irmãos consangüíneos do Mestre o tinham à conta de homem fora
do seu juízo perfeito...
Quantos se fizeram cristãos nos primeiros tempos do Evangelho
começavam a ser chamados ao testemunho no seio da própria família.
Os espíritos que lutam contra os propósitos de espiritualização das
criaturas envidam esforços no sentido de que o seguidor de Jesus na Doutrina
Espírita vincule a causa dos problemas materiais que enfrenta à sua nova opção
de fé.
Por este motivo, os espíritas sempre facearão acirrada perseguição
material por parte dos opositores da Terceira Revelação. Além de sustentarem
lutas cármicas pessoais, defrontar-se-ão com os adversários da Causa que
abraçaram.
No entanto o amparo espiritual não haverá de faltar a quem tome a
decisão de renunciar às facilidades transitórias.
Filhos, perseverai na fé e triunfareis!"

TEXTO RETIRADO DO LIVRO: A CORAGEM DA FÉ- CARLOS A. BACELLI ESPÍRITO BEZERRA DE MANEZES

sexta-feira, 24 de abril de 2009

MÁSCARAS


Sempre que coloco uma máscara para encobrir minha realidade
Fingindo ser o que não sou,
Fingindo não ser o que sou,
Faço-o para atrair as pessoas
Mas logo descubro que somente atraio outros mascarados,
Afastando as pessoas devido a um estorvo: a máscara.

Faço-o para evitar que os outros vejam minhas fraquezas,
Mas logo descubro que por não verem a minha humanidade,
As pessoas não podem me amar pelo que sou e sim pela máscara.

Faço-o para preservar minhas amizades,
Mas logo descubro que quando perco um amigo, por ter sido autêntico,
Ele realmente não era amigo meu, e sim amigo da máscara.
Faço-o para evitar magoar alguém e por diplomacia,
Mas logo descubro que é a máscara
O que mais magoa as pessoas de quem quero me aproximar.

Faço-o com a certeza de que é o melhor que tenho a fazer para ser amado;
Mas logo descubro o triste paradoxo:
O que mais desejo conseguir com minhas máscaras
É precisamente o que com elas eu impeço que aconteça.

(Gilbert Brenson Lazán)

A INVEJA


A Inveja


“- Invejais os prazeres dos que vos parecem os felizes no mundo. Mas sabeis, por acaso, o que lhes está reservado? Se não gozam senão para si mesmos, são egoístas e terão de sofrer o reverso. Lamentai-os, antes de invejá-los! Deus às vezes permite que o mal prospere, mas essa felicidade não é para se invejar, porque a pagará com lágrimas amargas. Se o justo é infeliz é porque passa por uma prova que lhe será levada em conta, desde que a saiba suportar com coragem. Lembrai-vos das palavras de Jesus: “Bem-aventurados os que sofrem, porque serão consolados”.
(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Livro Quarto.
Capítulo I. Penas e Gozos Terrenos.
Parte da resposta à pergunta 926)

Com um pouco de observação de nós mesmo, facilmente reconheceremos as manifestações de inveja que, até mesmo de forma sutil, podem limitar o necessário esforço que devemos desenvolver para elevar o padrão dos nossos sentimentos. A inveja reflete a fragilidade em que o nosso espírito ainda vive, deixando-se consumir em desejos inconsistentes, até mesmo ilusórios, principalmente de ordem material, em lugar de lutar pelas conquistas dos valores eternos que enobrecem o espírito.
É ela resultante de nossa limitada compreensão da lei de causa e efeito, aplicada a nós mesmos, segundo a qual as atuais condições da nossa existência, escolhidas e programadas na Espiritualidade, são as que melhores resultados nos podem proporcionar no resgate dos desacertos do passado. Então, às vezes, momentaneamente enfraquecidos, esquecidos da luta que selecionamos ao programarmos essa existência, caímos nas teias dos desejos mais recônditos, refletindo as reminiscências de vidas que tivemos em existências anteriores.
Interessante é que, ao constatarmos, nos outros, algo que desejaríamos possuir, manifestamos uma vibração de ódio gratuito para com eles, como se fossem os culpados da nossa condição precária, da remuneração baixa no trabalho material, ou de qualquer outro aspecto limitante dentro das dificuldades em que vivemos.
Vivemos no permanente erro de sempre culpar alguém pelos males que sofremos como fuga a um olhar corajoso para dentro de nós mesmos, onde encontraríamos as causas, remotas ou próximas, dos tormentos de hoje.

Vejamos as características mais comuns da inveja:

a) Desejo manifestado dentro de nós de possuir algo que vemos em alguém ou na propriedade de alguém;
b) Crítica a alguém que pouco faz e muito possui, comparando sua posição com os sacrifícios que a vida nos apresenta;
c) Estados de depressão, causando tristeza, sofrimento, inconformação e revolta com a própria sorte;
d) Sentimento penetrante e corrosivo que emitimos quando assim olhamos para outrem, nos deixando entregues a ódios infundados, por deterem o que ambicionamos;
e) Sentimento destruidor da resignação, da tolerância, da conformação e da fé, que devemos alimentar em nossos corações nas ocasiões de penúria material;
f) Resultado do apego, ainda presente em nós, aos valores transitórios da existência, tais como: posição social, objetos de uso pessoal, bens materiais, recursos financeiros.

O próprio conhecimento popular já definiu o conceito de “mau olhado”, que, ao ser dirigido por determinadas criaturas, a tantos causa prejuízos em seus bens materiais, quando não o mal-estar e a indisposição. É a vibração que o invejoso emite de tão forte envolvimento negativo, que, ao atingir alguém desprotegido e desprevenido, realmente pode provocar vários males.
Muito cuidado, portanto, com os sentimentos de inveja que venhamos a emitir para quem quer que seja lembrando sempre que colheremos, para nós mesmos, todo o mal que aos outros provocamos.

TEXTO DE NEY PRIETO PERES(MANUAL PRÁTICO DO ESPÍRITA)